quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Prêmio Destaque no FETO




O Abreu a Cena recebeu o Prêmio Destaque na Categoria Teatro na Escola.
Acompanhe o texto retirado do site do Festival.



Depois de dez dias intensos de espetáculos, debates, oficinas e pontos de encontros históricos, chega-se a festa de encerramento do FETO 2010. O palco do Galpão Cine-horto que muito recebeu as atividades do festival, deu também espaço ao espetáculo de encerramento “5 cabeças à espera de um trem”, do grupo 5 cabeças, sob a liderança de Byron O´Neill, um dos idealizadores do FETO.

Após o divertido e intrigante espetáculo, os organizadores do festival apresentaram os destaques dessa décima edição, e por fim apresentaram um emocionante vídeo sobre os 12 anos do festival e suas dez edições. No vídeo foram mostrados pessoas e grupos que formaram essa rede que concretizou o festival e novos horizontes para o teatro estudantil brasileiro. Os corações se apertaram, os olhos ficaram marejados e fim, a festa começou.

Os destaques foram escolhidos por uma banca de jurados que levantou características e notoriedades apresentadas no FETO 2010. Outra novidade na escolha dos destaques, é que circularão espetáculos por Minas Gerais e São Paulo, também escolhidos pela banca de jurados formada por Régis Santos, Pita Belli, Gláucia Vanderveld, Tula Barcellos , Renata Cabral na categoria “Teatro na Escola” ; e Gustavo Bones, Marcos Vogel, Denise Pedron, Fábio Furtado e Cristiano Araújo na categoria “Escola de Teatro”.

Destaques Teatro na Escola

Destaque pelo Conjunto musical

Jair, Paulo, Marquinho, Pirrique, Marcos Maciel e Rosy – Fala! Mulher… Que Mundo Você Quer? / Grupo Fragmentos

Destaque pela Participação e apoio da escola

Escola Estadual Pedro II – O Casamento da Fia Leiloada / Grupo: Caderno Teatral Pedro II

Destaque pela criação e customização dos figurinos

Elisangela, Dudu, elenco e Familiares- O Casamento da Fia Leiloada / Grupo: Caderno Teatral Pedro II

Destaque pelo figurino e maquiagem

Ana Nery – A Comédia da Esposa Muda (Que falava mais que pobre na chuva!) / Grupo: Cia Teatral Solares

Pela Adaptação do texto

Ronam Toguchi – Um certo príncipe – Um Hamlet itinerante /Grupo Brinquedo Torto

Destaque pelas Soluções Cenográficas

Cleiton Henriques – Fala! Mulher… Que Mundo Você Quer? / Grupo Fragmentos

Pela direção e execução musical

Raissa Encinas e Gabriel Moreira – Um certo príncipe – Um Hamlet itinerante /Grupo Brinquedo Torto

Pelo momento teatral

prólogo do espetáculo – Quem é Gente Grande? / Grupo de Teatro AnoniMattos

prólogo do espetáculo – Público / Grupo Arteiros

Pela mobilização da comunidade para o teatro

Fábio Sena – Confusão Caipira / Grupo Teatral Escóis

Destaque pelo coletivo de atuação

Elenco de O Casamento da Fia Leiloada / Grupo: Caderno Teatral Pedro II

Pela pesquisa e processo de trabalho

Direção e elenco – TragédioNation! / Grupo: Abreu a Cena

Obrigado a todos pelos esforços conjuntos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sim. Eu tentei. Mas não pude evitar o trocadilho. O FETO nasceu, cresceu e virou gente grande. Dá para ver nas nucas dos ônibus, nos teatros, museus, parques, praças, espaços culturais e bares da capital. A cidade toda, tomada pelo Festival. Tem gente para todos os gostos, de diferentes estados, idades, raças, credos, situações sociais e com diferentes experiências para compartilhar. E é em clima de troca que a 10a edição vem sendo levada.

Neste ano, uma das ações promovidas pelo FETO foi o encontro realizado no segundo dia do Festival (22.10), com representantes dos grupos Abreu a Cena (Belo Horizonte/MG), Quereres (São Paulo/SP) e do Grupo Brinquedo Torto (Santo André/SP). A proposta partiu de integrantes do Abreu a Cena, a fim de promover o contato com outros participantes do FETO no espaço onde a maioria deles mora, o bairro Ribeiro de Abreu. A reunião foi sediada pelo Núcleo de Prevenção à Criminalidade do Programa Fica Vivo! [1]. O Programa articula arte, cultura, educação e esporte para afastar os jovens da violência e das drogas. Assim como o Abreu a Cena, que nasceu na Oficina de Teatro do Programa Fica Vivo!, o Quereres também veio ao mundo a partir de iniciativas de cunho social, no Projeto Arrastão[2]. A instituição, sem fins lucrativos, promove o desenvolvimento comunitário no bairro do Campo Limpo em São Paulo.

A identificação foi imediata. Os mais jovens, do Abreu a Cena, pareciam visionar um futuro promissor espelhado na presença de grupos mais experientes e de fora do estado. Washington Gabriel, do Quereres, um dos participantes do Projeto Arrastão se disse emocionado ao recordar de um passado não muito distante. E durante a roda de conversa declarou: “Comecei assim [referindo-se a um dos atores do Abreu a Cena]. Hoje estou aqui em Minas, com o segundo espetáculo do Quereres. É muito gratificante!”

Durante o dia passamos por uma Oficina de Grafite, comemos pão de queijo com Mate Couro, ouvimos um pouco sobre o funcionamento do Programa Fica Vivo! e do Projeto Arrastão e terminamos com um ensaio aberto do espetáculo TragédioNation! – contemplando os visitantes que não poderiam assistir à apresentação, dentro da grade do Festival, devido à incompatibilidade de datas. Deixando os formalismos de lado, foi maravilhoso e enriquecedor. Certamente, de grande importância no processo de formação de todos os participantes da ação. Uma proposta surgida durante o FETO e para o FETO, com o objetivo de fortalecer o caráter de compartilhamento e construção de redes no Festival. Fica aí a sugestão para as próximas edições!

Isaque Ribeiro


Texto extraído do site do Festival: http://www.fetobh.art.br/?p=1212


Uma relação forte que se pode estabelecer na ponte entre palco e plateia é aquela que toca o espectador em algo que está fora do palco, algo que pode não ter sido planejado, dirigido, apresentado ou conferido como espetáculo. Faço um exemplo a partir do comentário do espetáculo Tragédionation, do grupo Abreu a Cena (de BH), apresentada na tarde de ontem (26) durante o Feto.

Quem não diria que a fila de mãe e parentes sentados na frente do palco do Espaço Esquyna também não fazia parte do espetáculo? Ou o grito dos jovens, lá da coxia, minutos antes de liberarem a entrada do público? Um pouco dessa energia e atmosfera já é um jogo que se estabelece com espectadores, que os prepara para a cena que se vê em seguida.

Assim também acontece quando o teatro começa de fato. Esse algo fora do palco, durante o contato com o palco, tem um valor por vezes ignorado. Não conheço o grupo Abreu a Cena, não conheço o processo de criação do Tragédionation!, mas existe nos subtextos daquelas cenas, da energia daqueles jovens, no nosso preparo, algo que parece suficiente para que haja uma boa convivência. E que agrada.

Algumas questões

Não digo, com isso, que o processo se explica integralmente pelo espetáculo. E por falar nisso, tenho uma grande curiosidade para saber como foi o processo de Tragédionation. E mais, tenho curiosidade de saber como funciona em BH os processos de articulação, discussão e conversas sobre arte-educação na cidade. Alguns bate-papos nos corredores do Feto convergiram na ideia de que a arte, por si só, não é tão libertária como todos julgam. É uma grande questão a ser colocada a quem lida com arte para jovens e crianças: como o teatro e arte podem ser usados com os propósitos libertários, políticos e sociais que ela parece associar-se? É uma questão obscura e delicada que me faz deparar com a imaturidade que tenho para ensinar teatro para crianças.

Como se aproveitar das experiências registradas por Augusto Boal, em suas técnicas do Teatro do Oprimido, a fim de fazer valer sua visão da relação entre o teatro e a sociedade? Como tirar das tragédias de Eloá, Sandro e Nardoni, uma meditação que corre por fora das espetacularizações feitas pela mídia brasileira? Como trabalhar o discurso moralista, e o maniqueísmo, que passeiam não só pela mídia, mas também pelo teatro infantil de má qualidade? Em um festival estudantil, são questões boas pra refletir, não?

Texto extraído do site do Festival: http://www.fetobh.art.br/?p=1227

TragédioNation!



Inspirado em três grandes crimes nacionais, o grupo Abreu a Cena (Belo Horizonte/MG) trouxe para o palco a realidade que muito nos incomoda diariamente vinda com a enchente midiática. Foram utilizados três casos: o de Eloá Cristina, adolescente de 15 anos assassinada pelo namorado em 2008 em Santo André; o de Isabela Nardoni, criança de sete anos jogada pela janela pelo pai e a madrasta e o crime brasileiro mais assistido, o seqüestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000.

Na tragédianation do Abreu a Cena, a violência estava impregnada nos veículos jornalísticos formando assim um espelho para a convivência de todo o grupo, como se a sociedade se conformasse com essa realidade. Por fim, os atores vestidos de habitantes dessa tragédionation se libertam da violência seriada constantemente projetada e deixam-se vestir de paz. Aplausos!


Texto extraído do site do Festival: http://www.fetobh.art.br/?p=1223